Dê, me ensina! Diferença entre cosméticos e dermocosméticos

Começo falando que a gente encontra muita informação errada na internet, por isso achei importante esclarecer.

Por exemplo, a gente encontra em alguns lugares que:

  • dermocosmético é um cosmético que chega até a derme.
  • dermocosméticos possuem ativos com variadas funções. Dessa forma, um único produto pode hidratar, tratar cicatrizes de acne, manchas e rugas, por exemplo, porque possui substâncias ativas com eficácia comprovada.
  • dermocosméticos são produtos são registrados pela Anvisa como grau II, o que significa que, apesar de serem classificados como cosméticos, eles precisam ter uma aprovação científica, com princípios ativos que realmente funcionem.
  • dermocosméticos passam por muitos testes para garantir a sua eficácia e segurança
  • cosméticos agem apenas na camada mais superficial da pele, a epiderme, promovendo resultados imediatos, como hidratação e efeito lifting.
  • cosméticos são produtos provocam alterações da aparência momentânea.

E não são necessariamente verdades.

Do ponto de vista regulatório, a ANVISA, Agencia Nacional de Vigilância Sanitária é quem autoriza a comercialização destes produtos. E para a ANVISA, independente da empresa, todos estes produtos são cosméticos. Ou seja, só podem ser notificados ou registrados como Cosméticos.  Se você procurar em qualquer página oficial, documento ou regulamentação da ANVISA você não vai encontrar a palavra dermocosméticos, apenas cosméticos. Isso significa que, independente de como a empresa o intitula, todos devem obedecer a mesma lei. Ou seja, qualquer produto denominado comercialmente como cosmético ou dermocosméticos podem usar os mesmos ingredientes, nas mesmas concentrações, são proibidas dos mesmos ingredientes, devem atender a todas as exigências legais e estão sujeitas as mesmas fiscalizações do orgao regulador.

Portanto, regulatoriamente, segundo a RDC 07 de 10 de fevereiro de 2015, – Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes: são preparações constituídas por substâncias naturais ou sintéticas, de uso externo nas diversas partes do corpo humano, pele, sistema capilar, unhas, lábios, órgãos genitais externos, dentes e membranas mucosas da cavidade oral, com o objetivo exclusivo ou principal de limpá-los, perfumá-los, alterar sua aparência e ou corrigir odores corporais e ou protegê-los ou mantê-los em bom estado.

São classificados em:

 Produtos Grau 1: cosméticos com processo de regulação simplificado através de notificação. Ou seja, não possui análise prévia do corpo técnico da ANVISA antes da comercialização. São produtos que possuem características e modos de uso básicos e tradicionais e que de um modo geral não possuem nenhum apelo ou benefício que necessite de comprovação de eficácia e segurança.

Ex: Shampoo/ Higienizar o couro cabeludo, Sabonetes/ Higienizar a pele, Esmaltes/Pintar as unhas.

Produtos Grau 2, que se subdivide em notificados ou registrados: possuem indicações específicas, cujas características exigem comprovação de segurança e/ou eficácia, bem como informações e cuidados, modo e restrições de uso.

NOTIFICADOS:

Cosméticos com processo de regulação simplificado através de notificação. Ou seja, não possui análise prévia do corpo técnico da ANVISA antes da comercialização, porém precisam de comprovações de eficácia e segurança.

São produtos que possuem algum apelo de benefício diferente do usual, possuem algum ativo ou característica crítica ou tem destinação de público que possa ser mais vulnerável a efeitos adversos, como o público infantil, por exemplo.

Embora não haja a análise prévia, os produtos necessitam ter as devidas justificativas de suas características.

Ex: Shampoo anticaspa/ benefício de ser anticaspa, Sabonete antisséptico/benefício de eliminar microorganismos, Esmalte hipoalergênico/ Benefício de baixa ou nenhuma oportunidade de reação alérgica.

REGISTRADOS:

Cosméticos com processo de regulação através de registro, ou seja, antes da comercialização, a ANVISA analisa os dados dos produtos fornecidos pela empresa, como fórmula, testes, rótulos e etc.

Passível de exigências durante o processo de regulação ou até indeferimento.

No geral são produtos críticos, que uma falha na eficácia e segurança pode acarretar um evento adverso ou um problema para quem utiliza. Como grande exemplo, temos o Álcool em gel, produto tão utilizado por nós nesse tempo.

Então sendo um produto com tantos riscos, a ANVISA analisa e vê se todos os aspectos estão em conformidade antes de liberar o produto para comercialização.

Junto do Álcool a ANVISA analisa apenas mais 7 categorias, sendo elas:

  1. Bronzeador.
  2. Protetor solar.
  3. Protetor solar infantil.
  4. Produto para alisar os cabelos.
  5. Produto para alisar e tingir os cabelos.
  6. Repelente de insetos.
  7. Repelente de insetos infantil.

OBS: Importante salientar que a ANVISA também analisa todos os produtos no pós mercado.

Se esta descrição está adequada, se hoje já falamos de penetração, não vem ao caso. Dentro da categoria ANVISA, um produto é classificado como cosmético ou farmacêutico. E nestes casos, só podemos classificá-los como cosméticos.

Isso significa que o termo não pode ser usado? Não.

O termo dermocosméticos foi criado principalmente pelas empresas farmacêuticas que tinham uma linha cosmética como uma estratégia de marketing para transmitir uma sensação pro consumidor ou profissional da saúde que o produto é mais potente que um cosmético. Pode ser verdade ou não.  Mas isso não é definido pela ANVISA, está livre para cada empresa se auto-afirmar. Podemos ter produtos que se intitulam dermocosméticos com ótimas formulações, altas concentrações de ativos ou ativos mais eficientes em uma base que permite uma melhor permeação e conseguem chegar em camadas mas profundas da pele, mas também posso ter cosméticos que proporcionam excelentes benefícios quanto. O contrário também pode ser real, uma empresa que se intitula dermocosmética pode comercializar produtos mais simples, que só vão atuar na epiderme, assim como um cosmético com a mesma função.

O que acontece é que a maioria das empresas que posicionam seus produtos como dermocosméticos trabalham a visitação médica e estão preocupadas com o embasamento científico dos ativos e eficácia clínica dos produtos. Por este motivo, fazem uso de concentrações mais altas e/ou sinergica de ativos, buscam inovações, alto valor agregado e eficácia, logo, tem um custo mais alto. Geralmente são prescritos por dermatologistas, que priorizam informação. Em geral não trabalham a mídia massiva. Porém, não é um produto farmacêutico, logo, não necessita de prescrição médica. Tem um espaço dedicado nas farmácias. É um mercado exigente e tecnológico. As tendencias para este mercado geralmente vem de congressos de dermatologia. A expectativa do benefício e o valor dos dermocosmeticos normalmente são maiores.

Empresas que geralmente posicionam seus produtos como cosméticos normalmente tem um valor agregado menor, portanto o valor do produto pode ser mais baixo. Trabalham a mídia massiva, gerando experimentação e compra por “impulso”. Mas, um cosmético também pode ter um produto mais elaborado e ter um preço elevado.

As farmacêuticas definem dermocosméticos como soluções em skin e hair care através do uso de ingredientes ativos selecionados sob o ponto de vista dermatológico com foco direto no suporte ou cuidado de diversas condições de pele e cabelo.

Todos os testes clínicos de uso, comprovação de benefícios e segurança exigidos devem ser feito por cosméticos e dermocosméticos. O que a gente vê é que muitos dermocosméticos realizam testes extras para explorar o benefício do seu produto, indo mais a fundo dentro dos clams.

Os produtos em geral são seguros e eficazes se utilizados nas doses corretas e de modo apropriado. Porém isso não exime o fato de algum indivíduo ser sensível a algum componente da fórmula. Não significa que o produto causa algum tipo de reação, até os produtos hipoalergênicos podem desenvolver algum tipo de sensibilização, mesmo que baixa. Acontece que essa individualidade faz com que o mesmo cosmético reaja de forma diferente em diferentes tipos de pele. Não podemos deixar de acrescentar também, que o fato da cosmética e procedimentos estéticos estarem cada vez mais acessíveis, é importante ter cuidado na escolha e associação dos mesmos. Por exemplo, fazer uso de vários produtos com AHA ao mesmo tempo pode deixar essa pele mais sensível momentaneamente tanto pela ação dos ativos quanto por aumentar a permeação de ativos de outras formulações, pois têm a capacidade de diminuir a coesão dos corneócitos que se encontram imediatamente acima da camada granulosa, separando e descamando o estrato córneo, mesmo que de forma suave.

Beijos,

Dê.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s